Trovoada com Nome e Sobrenome

Invades a minha cabeça quando há trovoada e a minha mente inicia uma música monossilábica com o teu nome. Acordei com a sensação de que vinhas aqui, de estar a espera da tua chamada a pedir para abrir a porta de manhã cedo. Passei a manhã quase toda a procurar o teu rosto na calçada que dá para o prédio onde vivo. Esperei por ti, mesmo sabendo que tu não vinhas, mesmo sabendo que era só a ilusão que criei para resistir á tua ausência a brincar com o meu coração. Acabei por arrastar-me outra vez para a cama e adormecer com a ideia de ti, do teu calor, da tua respiração sonora, ao meu lado. Sou incapaz de dormir dentro da minha cama, debaixo dos cobertores há quase um ano. Sou assolada pela tristeza cada vez que experimento e decidi desistir. Exatamente como desisti de ti por perceber que não me querias, que desprezavas a pessoa que sou. Desisti porque tu seres feliz é mais relevante para mim que a minha própria felicidade. Desisti porque doí muito mais ver-te triste do que não ser a razão do teu sorriso.  Por isso, desisti, não lutei por ti, a única coisa que perpetrou em mim a vontade de viver e não só existir. Criei a maior distância possível entre nós e acho que não devia. E não posso voltar atrás, não só porque não sei como mas porque a minha ausência não parecia incomodar-te quando estavas sozinho e muito menos no presente em que estás enamorado por outra. Luto quase todos os dias contra a ansia de querer ouvir-te e dar-te as minhas palavras, quer sobre as pequenas coisas que divertem os demais, quer sobre as coisas enormes que pesam oceanos. E enquanto espero por adormecer questiono... Pensarás em mim de todas as vezes que ouves trovoada como eu penso em ti? Pensarei em ti o resto da minha vida quando eu a ouvir? Ou acabarei por obliterar a tua existência?

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